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O marketing está em apuros.
Nova pesquisa mostra que o marketing tem cada vez menos influência na estratégia. Mídia digital ainda não superou TV. Anúncios na Netflix através do Google e + 7 notícias rapidinhas.

Uma boa notícia: empresas que são marketing-centered apresentam resultados superiores. Uma má notícia: o conselho dessas empresas nem sempre percebe isso. Como podemos mudar esse cenário? Veja estas e outras notícias da semana.
Piscou, Mudou:
Aumentam preocupações em relação a SEO e SEM.
Televisão nunca morre, mas muda.
A relação Marca S2 Influencers no Brasil
F*deu, o barco furou, o marketing está em apuros: uma nova pesquisa acadêmica mostra que o marketing tem cada vez menos influência no conselho das empresas, apesar de apresentar os melhores resultados. Como podemos reverter isso?
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Eu podia estar vendendo produtos pelo inbox do LinkedIn. Mas estou aqui, só pedindo pra você responder essa pesquisa. As pesquisas de indústria são muito importantes para a gente. E a Faster, junto com a Exame, estão captando estas visões de futuro sobre o marketing.
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PISCOU, MUDOU.
Notícias que você não pode perder.
◯ Aumentam preocupações com SEO e tráfego do Google
Notícias de empresas perdendo até 80% do tráfego orgânico vindo do Google, sem terem feito nenhuma mudança significativa, são cada vez mais comuns por aqui.
Não à toa, essa se tornou a principal preocupação para os publishers em 20251 e o pesadelo dos profissionais de SEO e SEM2.
Seguindo a mesma linha funerária, entre as 16 táticas de marketing analisadas pelo relatório de tendências da Conversion, o SEO foi uma das únicas três que perderam popularidade.
Para quem se lembra, em 2020 o próprio Google já havia cantado essa bola no artigo Messy Middle3: “Em um futuro breve, nem todo mundo passará pelo Google durante sua jornada de compra”.
Porém, esse futuro ainda não é realidade: o Google anunciou seus resultados para o Q44 , revelando que o faturamento com anúncios em pesquisa cresceu mais do que no ano passado — O crescimento em 2023 foi de 7.75%, em 2024 foi de 13,7% .
Independente de como será o futuro da profissão de SEO — que não necessariamente vai acabar, mas certamente vai se transformar — o fato é que as pessoas não pesquisam mais como antes e o próprio Google não entrega os resultados como antes (AI Overview).

O Search Engine Optimization evoluiu. As empresas que não entenderam isso e continuam otimizando seu site apenas para um mecanismo de busca, vão ver a curva de vendas diminuir. O SEO agora é outro. É sobre posicionarmos a marca onde o nosso cliente está - Google, YouTube, TikTok, ChatGPT, etc. Por isso chamamos agora de Search Everywhere Optimization. É o novo SEO!
Como usar esta notícia: Se grande parte da sua aquisição de clientes vêm de buscas orgânicas, é hora de diminuir sua dependência deste canal. Também é uma boa hora para começar a otimizar para aparecer nas buscas de IA.
◯ A TV nunca morre, mas muda.
Com a quantidade de notícias declarando o fim das televisões, é fácil achar que esse canal publicitário está acabando. Mas, será mesmo? O novo relatório da CENP-Meios 2024 ¹ responde essa pergunta com dados reais:
Entre Janeiro e Setembro de 2024 o investimento em mídia por meio de agências cresceu cerca de 19% e foi dividido entre os seguintes canais:
Televisão: 42,9%
Internet: 39,5%
OHH: 11,6%
Rádio: 4%
Jornal: 1,3%
Revista: 0,4%
Apesar das notícias de que os investimentos publicitários no digital superaram os da TV, pelo menos no Brasil, a telona ainda leva 0,42 centavos de cada R$1 investidos, mas as telinhas seguem de perto e continuam crescendo.
Dentro da Telona (TV): 87,9% foi para Aberta e 12,1% para a Fechada
Dentro da Telinha (Net): 62,8% em Display, 22,1% em Social e 7,4% em Busca.
A distinção entre TV aberta, TV fechada, Social, Streaming e outros está ficando cada vez mais embaçada. O Youtube, por exemplo, é conhecido como um app de smartphone, mas já é mais assistido na TV que no celular².
Como usar esta notícia: Começar a considerar anúncios de CTV (Connected TV) no seu plano de mídia.
◯ Uso de influenciadores se torna padrão, mas ainda é mal aproveitado
Que o Brasil é o país onde os influenciadores mais influenciam as compras dos seus seguidores já era sabido. Agora, a pesquisa Dados e Insights de Influencer Marketing no Brasil para 2025¹ traz ainda mais dados sobre a realidade dos influencers pela perspectiva de marketing e publicidade:
88% das agências já realizaram ações com creators;
64% das marcas já investiram em campanhas com creators;
72% trabalham com até 5 influenciadores;
43% das marcas pretendem aumentar a verba com influenciadores;
26,1% investem todos os meses;
48% tem como maior objetivo a conversão;
Os dados deixam claro que as marcas já incorporaram os creators no dia-a-dia, por outro lado, muitas ainda enxergam apenas como um canal de ativação de vendas, deixando de lado o que os creators fazem de melhor: criar comunidade em torno da marca.
Como usar esta notícia: Pense em estratégias de longo prazo com seus creators e, quem sabe, responda esse email para construir algo com o M15.
Rapidinhas:
→ Instagram testa botão de “dislike”
→ Unilever teve maior investimento de marketing da década
→ Youtube lança nova inteligência artificial para edição de Shorts
→ Google permite mostrar descontos para programas de fidelidade
→ Nos EUA, consumidores confiam mais em IA do que Social Media
→ Aparentemente, 90% dos brasileiros assistem K-dramas.
→ Google diz que líderes de marketing que usam IA tem 60% mais receita
→ Alguns donos de Jeep, recebem anúncios no painel multimídia do carro.
CHARGE DA SEMANA.
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MARKETING ESTÁ EM APUROS.
Uma visão aprofundada no tema da semana.

Pra que esse alarmismo todo numa terça-feira, Thiago? Seguinte, precisamos bater um papo sério hoje. Num almoço, dois anos atrás, um dos pioneiros do marketing no Brasil me disse:
"Você precisa parar de dizer que trabalha com marketing. O que você faz é mais importante que isso."
Eu já tinha um feeling de que ele estava certo, mas não tinha dados para provar. Só que agora os dados chegaram e advinha, o conselho estava certo. Calma, o que tá rolando?
Duas pesquisas¹ ² mostraram que marketing foi o departamento que mais perdeu influência, desde 1996:
Marketing (-47)
Operações (-1)
Finanças (-6)
P&D (+26)
Vendas (+41)
Na semana retrasada, trouxemos um relatório com um dado parecido: apenas 26% das empresas no Brasil consideram que integram o marketing de forma estratégica nas decisões de negócio. E na pesquisa desta semana, temos mais detalhes do cenário global.
Dos 11 fatores analisados—como precificação, inovação de produto e expansão—o marketing só aumentou sua influência em três:
Mensagem publicitária (+8)
Programas de satisfação e lealdade (+3)
Mensuração de satisfação (+2)
Em compensação, perdeu espaço nos seguintes pontos:
Expansão para novos mercados (-15)
Direção estratégica da unidade de negócios (-9)
Estratégia de distribuição (-9)
Parcerias estratégicas (-9)
Média do “Marketing Department Power” ao longo dos anos.
Qual o problema para as empresas?
O estudo mostrou que as empresas performam melhor quando o marketing tem mais influência nas decisões estratégicas. Pesquisadores descobriram que, quando o departamento de marketing tem mais poder de decisão na empresa, dois aspectos importantes melhoram:
O relacionamento com os clientes (coeficiente de 0,222)
O desempenho financeiro (coeficiente de 0,150)
O departamento de vendas, que mais cresceu em influência, também mostrou impacto positivo, porém menor:
No relacionamento com clientes (coeficiente de 0,158)
No desempenho financeiro (coeficiente de 0,097)
Por que isso aconteceu? A principal hipótese é que o marketing não sabe falar 'economês’. Não conseguimos demonstrar, de forma clara e direta, o impacto do nosso trabalho no negócio. Muitas vezes, nos apoiamos em métricas indiretas e precisamos lutar para justificar que o marketing “deu resultado”.
Como contornar essa situação?
Proposta #1: Uma métrica para chamar de sua
O funil linear e os modelos de atribuição surgiram justamente para tentar contornar esse problema, mas já não são suficientes. Os modelos econométricos são uma das possíveis soluções, mas ainda muito “obscuros” para os decisores.
A verdade é que o marketing precisa de uma métrica de negócio para chamar de sua. E essa é uma discussão que vamos continuar tendo por aqui.
Proposta #2: Conselhos interconectados.
Quando membros de um conselho participam de mais de uma empresa, a tendência é que percebam o impacto positivo do marketing e levem essa visão para outros negócios.
Aliás, é por isso que aqui no #M15 vamos começar a criar Peer Groups. A ideia é nos conectar, trocar experiências e fortalecer a indústria como um todo.
Bom, agora temos em mãos uma pesquisa clara: empresas marketing-centered performam melhor, mas ao mesmo tempo o departamento de marketing é o que mais perdeu influência. Fiquem com essa bomba para uma terça-feira e vamos todos trabalhar juntos para reverter esse cenário.
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